Dica do especialista

Abre o Bocãããããão

1 out de 2013 comentários
Odontologia para Bebês
O post de hoje vem falar um pouquinho do que seria a Odontologia para Bebês e o porquê de levar seu filho ao dentista tão cedo.
Inicialmente, gostaria de lembrá-los que a boca não é composta só de dentes, nela encontramos outras estruturas tão importantes quanto, que compõe um complexo sistema responsável por funções importantíssimas como a nutrição e fonação. A formação das estruturas bucais tem início na 6 semana de gestação e desde então não pára mais!
A boquinha do seu bebê está sempre em transformação. Ainda no 5 mês de vida intra-uterina começa a formação dos dentes permanentes, isso mesmo, já nascem com eles guardadinhos para concluir o desenvolvimento na hora certa. E ainda podemos citar a maturação das glândulas salivares, crescimento ósseo da face, desenvolvimento de hábitos de sucção, erupção dos primeiros dentinhos como alguns dos eventos que ocorrem numa boquinha tão pequena. Acho que por aqui mesmo eu poderia encerrar meu post, né? Afinal, já está mais que justificada a visita ao dentista por um bebê, certo?
Mas para deixar esse post bem completinho vou citar algumas particularidades que podem acontecer na boquinha de um bebê:
DENTE NATAL: Pode ocorrer com alguns bebês. É um dente presente na cavidade bucal ao nascimento, ou seja, pode ter irrompido ainda com bebê no útero materno. Ele nasce com o dente na boca.
DENTE NEONATAL: Esse ocorre quando ainda nos primeiros 30 dias de vida um dentinho aparece.
Nos casos acima é mais comum acontecer em incisivos inferiores. E a consulta ao Odontopediatria é recomendada para que examinamos e seja descartada a possibilidade de um dente extranumerário, ou seja, um dente a mais, fora da série normal. Esse diagnostico é realizado através de exame clínico e radiográfico.
PÉROLAS DE EPSTEIN: É um tipo de cisto na região central do palato, o famoso “céu da boca”
NÓDULOS DE BOHN: Cistos encontrados nos rodetes gengivais.
Em geral, esses tipo de cistos não precisam de tratamento específico, dentro de poucas semanas eles se desprendem espontaneamente
MUCOCELE: Muito encontrada em crianças, ocorrendo muito naquela fase em que elas descobrem como é gostoso colocar tudo na boca. Então por trauma, aparece essa lesão cística, assintomática (não dói) causada pelo rompimento do ducto de glândulas salivares. Aparece uma bolinha azulada que possui saliva no seu interior.
RÂNULA: Tem a mesma descrição da anterior, mas a rânula ocorre no assoalho (em baixo) da língua. (Gui teve a tal Rânula e na época fiquei bem assustada, precisando do diagnóstico de outros colegas, para ter certeza que eu estava certa)
Essas duas lesões freqüentemente se resolvem sozinhas após um curto período, mas às vezes é necessário remoção cirúrgica.
GENGIVOESTOMATITE HERPÉTICA: É o primeiro contato com o HSV (vírus da herpes), através do contato direto com gotículas de saliva ou com a própria lesão de outra criança ou adulto infectado, podendo manifestar-se de forma aguda ou subclínica (sem manifestações). A gengivoestomatite é a forma aguda que após um período de 4 a 5 dias do contágio, a criança apresenta febre, mal-estar, irritabilidade, dor de cabeça  e desconforto. Com 1 ou 2 dias aparecem bolinhas na cavidade bucal, que se apresenta bem a vermelhada, edemaciada, com tendência ao sangramento, essas bolinhas depois se rompem, formando úlceras. Deve incomodar muuuuito gente! A criança geralmente saliva muito, não come bem, não dorme bem e fica irritada.
Na consulta o odontopediatra vai diagnosticar e orientar o uso de analgésicos, antitérmicos, antivirais (em alguns casos), assim como a higiene local importantíssima.
CANDIDOSE: Essa ocorre quando a Candida albicans torna-se patogênica (doença) diante de uma alteração sistêmica ou local, já que ela está presente numa boca saudável. Aparecem placas brancas que podem se desprender, deixando uma ferida dolorida, podem estar associadas também fissuras eritematosas (avermelhadas) na comissura labial, ou seja, no cantinho da boca, a famosa “boqueira”.
O tratamento aqui é realizado com medicamentos específicos.
Gente, essas são as lesões mais comuns em bebês, mas existem outras tantas. Observem que nenhuma delas tem relação com dentes, ou seja, o bebê ainda edêntulo (sem dentes) pode ser acometido. A visita ao profissional especializado no atendimento ao bebê, pode ser feito em qualquer idade, afinal, visitar o dentista com uma lesão já instalada pode atrapalhar e muito nosso trabalho, assim como a adaptação da criança e por conseqüência o tratamento.
Meu intuito aqui é apenas informar, pois esta é a melhor maneira de prevenir. Não quero assustar ninguém e nem quero vê-los achando “cabelo em ovo”, mas tenho certeza que falei algumas coisas que a grande maioria não fazia idéia, certo?
Portanto, leve seu filho ao dentista. Você pode reduzir em até 90% o tratamento curativo com um tratamento preventivo.
Texto por Dra. Gabriela Trindade
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