Mãetamorfose em Palavras

Colocando o Filho pra dormir em 8 tempos.

4 set de 2014 comentários

Aquela noite que promete. Colocando o Filho pra dormir em 8 tempos.
1) O começo: a criança conta como foi o seu dia. A Mãe super interage perguntando tuuuudo, até mesmo pra saber detalhes e vê se tudo, de fato, ocorreu bem com o filho. (Nesse momento a empolgação está a 100%, dos dois).
2) A Mãe conta duas histórias, chapeuzinho vermelho e três porquinhos que se misturam. Terminam virando uma só história. (Empolgação da criança sobe ainda mais. A Mãe tem que ligar o alerta sonífero já já…)
3) Mãe e filho começam a atuar, representação da história dos três porquinhos feat chapeuzinho. Um pout-porri dos melhores momentos. Com direito a cabana de edredon e muitas vozes. Sonoplastia, e afins. (Empolgação chega ao auge! Atinge o ápice dos 200% de pura adrenalina noturna, uma loucura. A Mãe logo percebe que aquilo não dará certo…).
4) A Mãe tenta ir acalmando os ânimos. Falando coisas do tipo, “Agora fecha os olhinhos“. “Chapeuzinho tá com sono, o lobo não vem mais…(Empolgação começa a cair. Glória a Deus!)
5) A Mãe encara o filho nos olhos, percebendo que estes estão mais abertos do que nunca. E começa a falar: “Tá na hora de dormir…” repetidas vezes. E relembra que todos já estão dormindo, os amiguinhos da escola, a professora, os avós, o papa, o mundo todo dormiu. Menos ela. (Empolgação em Queda, nada livre!)
6) A Mãe percebe que os movimentos do filho começam a ficar mais lentos. E se anima: “Agora ela vai dormir!” Quando de repente, todas as dores do mundo começam a aparecer: “Mã, tá doendo aqui! (Apontando pro pé!)” “Aqui, Mã! (Dessa vez na barriga!) E assim a Mãe vai fazendo massagens na promessa de “curar as mazelas” que a filha inventa pra si mesma, só pra não deixar a Mãe se fazer de estátua em paz (a famosa tática da Pedra. Mãe um ser inanimado. Quem nunca?)
7) A Mãe percebe que o olhar do filho começa a ficar distante! Ela volta a ter esperança que o sono profundo se aproxima. A Mãe, que nessa hora já está de olhos mais fechados do que abertos, fingindo está no décimo sonho pra ver se o filho reproduz a mesma cena “a vera”, começa a escutar no silêncio profundo a respiração do filho bem forte. (Senhor, escutastes a minha prece. Dorme, filho! Dorme…)
8) A Mãe percebe que os olhos do filho viraram pela milésima vez. E tornaram-se a fechar. Com um grito de “Yes” no subconsciente, a Mãe decide começar a bater em retirada da cama. Lentamente, para não acordar o Sono Vitorioso do filho, ela vai se contorcendo como uma minhoca desajeitada, quando de repente… Toc, Trec, Tec! Todos os seus ossos decidem estalar. O filho esboça um suspiro, os olhos dele se abrem (desespero bate! Será que tudo foi por água a baixo?), mas logo se fecham, para o alívio geral da nação materna desse meu Brasil.
Fim (ou melhor, não. A gente lembra que. noite apenas começou.)
Geralmente, esses dias que os filhos “penam” para dormir, são os dias que mais precisamos descansar. Aqueles dias que estamos mortas na farofa. Uma Mãe Zumbi. Essa é uma das lei de Murphy sobre maternidade. Quanto mais cansada estás, mais seu filho perceberá, e ninjamente lhe dará de presente um looongo momento a dois na cama! Pode apostar!
Ps: Coloquei esse texto ontem no nosso instagram (@maetamorfose), e devido a muitas mães e pais se identificarem, decidi repostar atualizando-o por aqui.:)