Dica do especialista

De mãe para filho: o amor de um irmão.

31 out de 2016 comentários

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“A chegada de um novo bebê é motivo de muita alegria. É a oportunidade de reviver as emoções da gravidez, mas agora com a confiança de quem já tem experiência e já sabe tudo o que esperar – ou melhor, quase tudo. Haverá um novo elemento a ser desvendado que mudará por completo a sua nova jornada: como serão as reações do seu primeiro filho?

O único detentor do amor dos pais terá agora que dividir a atenção, dividir o tempo, as brincadeiras, o carinho. Ao deixar de ser o pequeno da casa, sentir ciúmes é inevitável. Comportamentos agressivos, maior introspecção, desobediência e até mesmo uma regressão poderão fazer parte da rotina a partir do nascimento ou durante a gravidez e os pais precisarão refletir sobre suas atitudes para ajudar seu primogênito a lidar com essa nova organização familiar. Crianças entre 2,5 e 4 anos normalmente sentem maior dificuldade com a chegada do novo membro, pois ainda apresentam forte conduta egocêntrica e seu mundo praticamente se resume a sua família.

Para tornar essa chegada mais tranquila, pais e familiares mais próximos podem adotar algumas atitudes. Vamos tentar?

– Converse com seu filho. Seu filho merece compartilhar desta felicidade assim que você decidir torná-la pública, ele desfrutará de um lindo novo amor e compartilhará uma história de vida com um grande amigo. Mas fique atenta para adotar uma linguagem adequada a sua idade quando for contar e para não exagerar nas conversas sobre o bebê. Deixe que o mais velho faça perguntas ou escolha a roupinha que seu irmão sairá da maternidade (dentre as opções dadas por você).  A atenção deve ser dividida entre os dois filhos e a mesma lógica se aplica aos assuntos das reuniões familiares. Peça a colaboração da sua família – por favor (!) nada de comentários como “seu reinado chegou ao fim”.

– Seja positiva. Desde a gravidez transmita o lado positivo da nova fase. Um novo membro na família significa mais alguém para brincar junto, para ajudar, para dar e receber carinho. Caso venha a passar por enjoos apenas diga que não está se sentindo bem, não é necessário criar a imagem de que o bebe está causando qualquer tipo de mal estar.  Mostre o lado bom das inevitáveis mudanças familiares. Se você precisar rearrumar os quartos, por exemplo, ressalte as vantagens daquilo de novo que seu filho está ganhando. Estimule as demonstrações de carinho do mais velho para com o seu irmão, ainda que ocorram através de um abraço mais apertado. Com paciência e delicadeza você fará os ajustes necessários neste acarinhamento.

– Reserve um tempo para o mais velho. Bebês demandam muita atenção: amamentar, trocar fralda, colocar para dormir, entretanto, o seu mais velho não pode virar a última “obrigação” da lista. No espectro do ciúme, está a competição e a angústia de perder a atenção dos pais. Combata esses sentimentos criando um momento exclusivo para vocês dois e sem comparações. Brinque com seu filho mais velho, organize um passeio especial sem a presença do bebê, revejam fotos de quando ele nasceu. Relaxe e curtam juntos esse momento só de vocês! Não vale fugidinhas para ligar para casa e perguntar sobre seu mais novo pequeno – ele ficará bem durante algumas horas sem você.

– Repreenda a desobediência com tranquilidade. As reações agressivas ou desafiadoras se acentuam neste período e precisam, sim, serem repreendidas. Não está certo e os pais não devem tolerar por pena ou qualquer outro motivo. A educação de seu filho não deve cessar. Contudo, não é necessário assumir uma postura punitiva às reações de ciúme. O ideal é que se converse no intuito de reafirmar seu amor. Faça seu filho se sentir seguro e não negue os sentimentos que estão vindo à tona.

– Deixe seu mais velho participar. Ainda durante a gravidez deve começar o trabalho pelo amor entre os irmãos. Convide o seu primeiro filho a sentir o bebe mexendo na sua barriga ou estimule que ele cante uma música. Após o nascimento, ser o ajudante durante o momento do banho, carregar no colo, pentear o cabelo, empurrar o carrinho são ações simples que despertam no mais velho o sentimento de pertencimento e que ampliam a sua capacidade emocional e afetiva. Ao final de cada ajuda enfatize o quanto ela foi importante. Mas não se esqueça de manter o equilíbrio: a ajuda deve ser uma oferta e não uma imposição. Tudo bem se seu filho não quiser ajudar naquele momento.

– Respeite seus limites. A difícil missão de ser uma mãe sem culpa ou sem ansiedade se agrava ao longo dessa fase. A culpa de ter menos tempo para seu outro filho, de não saber como agir em determinada situação, de repreender com um grito além do necessário por estar cansada demais, de não entender o amor que sente por cada um deles, de achar que não está dando certo já na primeira semana após o nascimento…  Calma. Sem pressa e sem culpa, pois este processo é natural e precisa apenas de algum tempo para se ajustar. Trabalhar este sentimento a ajudará a se manter no controle.

 Lembre-se: a chegada de um novo irmão talvez venha a ser um dos maiores desafios com que seu filho terá que lidar ao longo de sua vida. Mas, seguramente, será um dos maiores e melhores presentes que você lhe dará.  

Com a Princesa não foi diferente. O início foi um pouco dolorido pra ela, pois a Miúda me demandou bastante atenção devido a um probleminha de saúde que já contei em outro post por aqui. Além do fato de um recém nascido, por si, precisar muito dos cuidados e dedicação materna o que exaure, fisicamente e emocionalmente, demais a mulher. Depois com o tempo tudo foi se encaixando… Consegui dividir melhor os momentos com cada uma delas, e com todas juntas a mim. Vi o amor delas crescer. E meu coração se encheu de orgulho por isso. Minha “dica” é: Preste atenção nos sinais que seu filho mais velho te dá. E não tenha vergonha de pedir ajuda de pessoas mais experientes e livros no tema pra poder melhor lidar. Mas acima de tudo escute seu coração de mãe. Ele vai saber uma linda forma de contornar.

Texto por Gabriela Arcoverde
Educadora pós-graduada em Gestão Escolar e gestora da Escola Polichinelo, especializada em Educação Infantil e Fundamental I.