Dica do especialista

Dica do especialista: Hipomineralização do Molar-Incisivo (HMI)

8 dez de 2016 comentários

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Hipomineralização do Molar-Incisivo

Que nome estranho, né? Mas hoje resolvi falar dessa alteração por aqui porque ela tem se tornado cada vez mais conhecida pelos pais de crianças com 6/7 anos, infelizmente. No consultório a queixa cada vez mais freqüente de “dentes escuros nascendo” tem chamado minha atenção.

Vamos começar traduzindo esse nome? Olha só: Hipo(pouco) Mineralização (minerais agregados, “endurecimento” do tecido) Molar (se refere ao primeiro molar permanente, aquele que já falei por aqui e que erupciona na cavidade bucal por volta dos 6 anos) Incisivo (dentes anteriores, esses bem da frente), em um rápido resumo esse termo define a baixa mineralização dos molares e incisivos, frequentemente associados.

Essa patologia pode se apresentar desde manchas brancas, manchas marrons, acastanhadas, deformidades na anatomia, e até perda de estrutura do dente, nos casos mais severos o dente se apresenta “esfarelando”, um dente de estrutura fraca mesmo.

Já se sabe que esse defeito é conseqüência de fatores ambientais de ação sistêmica, que ocorre durante a fase de mineralização desses dentes, que não coincidentemente, acorre na mesma época. Ao nascimento já começa a formação das coroas e aos 3 anos, já temos elas bem formadinhas, mas ainda intra-ósseas. Ou seja, algum evento nessa faixa etária prejudicou a formação do esmalte.

A causa de fato, tem sido o objetivo de muitos estudos, já que a prevalência dessa patologia tem aumentado consideravelmente. Em 2010, um estudo de Jeremias e Colaboradores falou em 20% das crianças (7-14 anos) com HMI.

Atualmente, a literatura tenta relacionar a HMI a doenças dos primeiros anos de vida: febre alta, infecções do trato respiratório, deficiência nutricional. No entanto, a origem ainda não está clara e por isso é tão importante o relato dos pais na ficha preenchida previamente a consulta.

A HMI quando mais severa apresenta um grau extremo de sensibilidade,a anestesia resolve parcialmente ou não resolve e um antiinflamatório se faz necessário 24hs e 30min antes da consulta.

O tratamento do paciente afetado pela HMI será guiado pelo grau de severidade e principalmente pelo estado clínico em que o dente se encontra. Podemos fazer desde aplicação de selantes , restaurações preventivas com Cimento de Ionômero de Vidro (material muito indicado nesses casos, pois ele libera flúor, o que ajuda bastante), até restaurações mais extensas, coroas e extrações, podem se fazer necessárias. Para os dentes anteriores, dispomos de clareamento, facetas e mais tarde lentes de contato.

O pequeno paciente com HMI, deve ir ao Odontopediatra mais vezes ao ano para consultas de controle, devido a porosidade do esmalte, as restaurações tem adesão comprometida ao dente, podendo haver fraturas não só das restaurações como da própria estrutura dentária.

O diagnóstico precoce é um grande aliado, tratar os dentes com HMI assim que eles erupcionam na cavidade bucal torna o tratamento menos invasivo, evita cárie associada e grandes fraturas dos dentes envolvidos. Procure sempre uma Odontopediatra, acompanhar de perto a fase de dentição mista (quando começam a surgir os primeiros dentes permanentes) é mais do que cuidado, é promover saúde, é praticar a prevenção.

Vejam abaixo casos de HMI:

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Esse é um caso de HMI, forte sensibilidade nos molares, paciente faz uso constante de creme dental para dentes sensíveis, e agora estamos fazendo clareamento para atenuar a mancha no Incisivo central, menino, 12 anos.

 

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Nessa foto a gente observa HMI nos molares que não acabaram de erupcionar

 

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HMI associada, molares e incisivos acometidos. Já foi iniciado o tratamento restaurador no molar permanente.

 

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HMI nos 1ºmolares superiores

 

Texto por Dra. Gabriela Trindade
Odontopediatra
CRO 7908 PE

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