Mãetamorfose em Palavras

Filhos: Planejar ou deixar rolar?

30 mar de 2017 comentários

isa sophia bruna villa kids

Na minha vida pessoal quando as coisas acontecem sem aviso prévio eu as recebo, as vezes com receio, mas sempre disposta a encará-las;

Não planejei minhas filhas, mesmo algumas vezes sonhando acordada com a maternidade. Nunca pensei muito em que tipo mãe eu seria, ou como agiria com meus filhos. Na verdade, eu ia vivendo e deixando acontecer. Sem planos em médio e longo prazo. Organizando no máximo o que iria fazer na próxima semana. Coisas relacionadas a uma maternidade “precoce”, talvez.

Mesmo sem idealizar tanto a minha maternidade, o meu instinto sempre foi exacerbado. Lembro que me perguntavam quando criança o que eu gostaria de ganhar e eu sempre respondia: um macaco! Pra ficar pendurado em meu colo por onde eu andar. Este nunca chegou. Mais outros muitos “filhos” vieram. Cachorro, Papagaio, Cagado, peixes, cavalos, gatos, preás, pintinhos, e até uma galinha de angola pra eu cuidar.

Depois das minhas duas filhas, ou mais precisamente, depois dos meus 30 anos, esse panorama veio mudando. O passar dos anos e as responsabilidades vão chamando a gente pra pensar mais nos passos a serem dados. Porém continuo sem querer idealizar tanto a minha maternidade. Um paradoxo! O que eu poderia fazer diferente num próximo filho, por exemplo? Quando penso nisso, bloqueio. Por já saber que na pratica o buraco é mais embaixo, e que cada filho é diferente e isso por si só transformará muita coisa sem precisar que eu estabeleça tais mudanças desde já. A luta agora é tentar equilibrar essa minha fase planejada. Pois não quero perder a leveza do deixar acontecer…

Hoje me vejo planejando e criando expectativas, e confesso: sinto mais frio na barriga por isso do que quando fui “pega de supetão”. Pela primeira vez na vida estou desprendendo energia em algo que não é concreto, uma gestação ainda idealizada. E digo: como isso mexe comigo! Tão mais fácil relaxar e “deixar por conta do cosmos”, como antes eu fazia e sentia que ao final tudo se encaixaria e teria todo o sentido de ser.