Dica do especialista

Mãe posso crescer?

30 jan de 2017 comentários

ENSAIO-75

À medida que seus filhos vão crescendo e criando independência, os pais se deparam com a difícil realidade de se desapegar. Seja no final da fase da amamentação, no ingresso escolar, no intercâmbio enquanto adolescente, na escolha por fazer uma faculdade em outra localidade ou no casamento de seu “bebê” – é necessário vencer a ansiedade e deixar que seja cortado o cordão que os prende desde o nascimento.

A mãe natureza nos diz através de exemplos diários que existe um momento para crescer. Momento este que, por vezes, como animais sociais, decidimos adiar. O discurso pela autonomia é mais fácil do que sua execução prática, mas é preciso persistir nesta árdua tarefa enquanto pais. Afinal, não podemos prometer proteção e acompanhamento eterno, não é verdade? Haverá um momento em que os filhos precisarão caminhar com suas próprias pernas e chegar a ele sem uma vida de preparação será muito mais doloroso.

Crianças precisam sentir o apoio de seus adultos modelos para assumirem o risco de uma mudança, por isso a necessidade do desapego começar pelos pais. É através de atitudes, fortes ou sutis, é que se dá a permissão para que seu filho cresça e avance. É comum percebermos crianças com posturas infantilizadas sem motivos aparentes. Entretanto, ao partir para uma conversa mais profunda com seus pais, descobre-se, por exemplo, uma mamadeira aos 6 anos. – “Mas é só na hora de dormir! Se eu tirar, será um chororô e ele gosta tanto! Não posso fazer isso com ele…”, diz a mãe. Reflitamos: aos 6 anos a criança está solidificando sua aquisição de leitura/escrita, ou seja, conquistando uma habilidade do mundo adulto. No entanto, mantém o hábito da mamadeira, pertinente ao mundo dos bebês.  E agora? Crescer ou não?

As posturas adotadas pelos pais são fundamentais à educação e transmitem mensagens que nem sempre são conscientes. Aceitar que seu filho permaneça com a chupeta pelo tempo que desejar, adiar o desfralde porque nunca parece ser o momento certo, manter a alimentação assistida por um adulto quando ele já tem coordenação motora para comer sozinho, não dar autonomia na hora do banho, impedir que saia só com os amigos durante a adolescência ou ser o despertador de um adulto que já está cursando a faculdade são atitudes simbólicas de alguém que não está autorizando o crescimento. Filhos são sensíveis a estas mensagens e procuram agir, mesmo que inconscientemente, de forma a agradar seus pais.

Permitir e ajudar seu filho a crescer é uma atitude nobre que mostra um pensamento altruísta e a longo prazo. Educar é ensinar que a vida também é feita para o futuro, que deixar para trás pode até ser doído, mas vale a pena porque virão novos desafios. Educar é dar o exemplo, então comece, você, a pensar no futuro. Cada fase da vida de seu filho carrega seu próprio prazer e deve ser curtida como uma história de final feliz ao longo do começo, meio e fim.

Texto por Gabriela Arcoverde

Educadora pós-graduada em Gestão Escolar e gestora da Escola Polichinelo, especializada em Educação Infantil e Fundamental I.