Mãetamorfose em Palavras

Mãetamorfose aos 30: A Saga

6 abr de 2011 comentários
Segundo ato
Minha Mãetamorfose
Da montanha russa emendei com o casulo. Senti que precisava me esconder para poder enfrentar aquela transformação em minha vida, pois o furacão foi grande demais. Vivendo um momento que deveria ser de realização plena, misto de alegria e orgulho, no qual todas as mães querem mostrar ao mundo a felicidade de dar a luz, eu só queria ficar na minha para tentar oferecer sobrevivência a um serzinho miúdo que só sabia chorar (e olhe que meu bebê anjo nem chorava muito…).
Tentando entender o que tinha acontecido desde o parto, eu lembrava que tinha entrado na sala de cirurgia aparentemente tranquila, mas ansiosa. Excitada, porém, desconfiada. Radiante, mas apreensiva. Eufórica e animada, mas no fundo, no fundo morrendo de medo de tudo, começando pela temida anestesia (por que não comentei que estava com medo, hein? Tinha me facilitado um monte de coisas…). Enfim, um poço de contradições, né?
Eu pensava estar tudo sob controle, pois já que tinha passado por diversas cirurgias, várias anestesias gerais, tinha certeza que ia tirar de letra e subestimei o momento. Aquela não era mais uma cirurgia, era o ato de nascimento de minha filha, o ato cirúrgico era um detalhe que eu esqueci de registrar…
E não é que eu simplesmente tive um ataque de pânico em plena cirurgia…
Esquecendo de registrar que tinha acabado de dar a luz, agi como se não tivesse passado por nenhuma cirurgia, andando e falando e fazendo tudo como antes.
Pensando bem, eu deveria ter deixado a prepotência e a auto-suficiência de lado para assumir que, mesmo depois dos 30 anos de idade, julgando-me uma mulher bem resolvida, com estabilidade financeira e afetiva, toda a estrutura do mundo que alguém poderia desejar, eu estava morrendo de medo de não saber cuidar de um pacotinho precioso que eu nem sequer conhecia.
Sem falar nas cobranças, tanto da sociedade quanto da gente mesma em se sair bem nesse novo papel. Eu só sentia a pressão, ou melhor, senti-me muito pressionada para ser uma boa mãe, esposa, profissional (tudo ao mesmo tempo agora); para amar aquela criatura desde a barriga, tendo que desenvolver o tão falado vínculo mamãe-bebê, como se fosse a coisa mais fácil do mundo e a gente se apaixonasse instantaneamente pelo nosso bebê, no exato momento que ele sai da barriga, principalmente quando ele nasce completamente diferente do que a gente imaginou; para saber renunciar a tudo e ingressar numa nova etapa de vida; para amamentar exclusivamente até os 6 meses de idade; para deixar transparecer que estamos felizes e satisfeitas naquele momento de felicidade plena, no paraíso, mesmo padecendo…
Finalmente, estou querendo sair da toca, dar o ar da graça por aí, para mostrar que linda borboleta eu me transformei. Metaforicamente, era como se eu fosse uma lagartona, pois me sentia feia, gorda, inchada, com a pela manchada, naquele corpo que não era meu (com mais de 15 quilos acima do meu peso, que já não era o ideal antes da gravidez).
Então, eu posso sair agora. Livre, leve e solta, como outrora eu costumava dizer. Ups! Só que tem um detalhe: já não estou mais sozinha. Minha cria “re”nasceu comigo. Entramos uma só e saímos duas…e agora?
O futuro só a Deus pertence. No auge do meu desespero rogava aos céus que alguém me compreendesse, pois nem eu mesma estava compreendendo o que estava acontecendo, e Ele colocou junto de mim as pessoas certas, nas horas certas, que me ajudaram bastante, pois tive a humildade de aceitar que estava doente e precisava de tratamento. Quando nossa mente adoece também adoecemos fisicamente. E como nossa mente é poderosa! Fantasia coisas e nos faz pensar em milhares de coisas ao mesmo tempo, o que também contribui muito para a falta de tranquilidade no momento que deve ser de resguardo.
Mas também tenho que confessar que minha fé me ajudou bastante. Deus me supriu de forças para continuar. Quis a vontade dele que eu passasse por uma grande provação que revolucionou a minha vida. Assumi minha condição humana de fragilidade. Dolorosa transformação. Sofrida. Superada.
Para ler o Primeiro ato basta clicar! Gente, essa história nos envolve, mesmo não tendo passado por isso. É o reconhecimento de uma situação momentânea, mas ao mesmo tempo dolorosa. Onde tudo eram pra ser flores…
Primeiro Ato
Terceiro Ato
Quarto Ato
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