Mãetamorfose em Palavras

Mãetamorfose tu: Eduarda Petribú

28 ago de 2012 comentários
O Segundo, nem sempre, é mais simples que o primeiro.  
Tudo aconteceu bastante programado, quando Valentina completou 6 meses resolvemos liberar e encomendar o nosso segundo filho(a). Para quem quer uma família grande (3 ou 4 filhos) os intervalos pequenos são melhores, assim as crianças crescem juntos!
Eu estava grávida e com uma princesa de 7 meses em casa! Liguei imediatamente para meu marido e contei pelo telefone, mas resolvemos guardar segredo até fazermos os exames e saber se estávamos bem. Tudo bem, exames feitos!! Vamos contar…
Pelos nossos cálculos, acreditávamos que seria mais uma menina e já estávamos escolhendo o nome, provavelmente, Maria Fernanda. Mas para nossa surpresa o exame de sangue detectou o cromossoma Y, ou seja, o NOSSO MENINO estava à caminho! 
Acho que só sentimos tamanha felicidade ao descobrir que estávamos grávidos pela primeira vez, foi tão PERFEITO ter o tão desejado casal. Um menino para acompanhar o pai nos esportes, e nossa Valentina para me acompanhar em programas femininos. FELIZ era nosso estado de espírito!
O começo da gravidez foi bem parecida com a primeira, enjoei bastante e o Dramin, Meclin e as bolachas cream crackers foram meus maiores companheiros dos 5 primeiros meses. Desta vez, estava muito mais ocupada com trabalho, filha pequena e cheia de expectativas para o novo integrante da nossa família.
No feriado de 12 de Outubro, depois de um almoço na praia senti um enjoo muito forte, fui ao meu quarto e fiquei lá passando muito mal. Quando Zé chegou pensou que estava acontecendo alguma coisa com o bebê, mas quando o enjoo forte foi embora, tudo foi normalizando e eu achei que isso era mais um dos enjôos que sempre aconteceram em minha gravidez.
Os enjôos fortes começaram a ser constantes mesmo aos 7 meses de gravidez, toda vez que comia a mais passava muito mal, porém como mãe de segunda viagem, não achei muito estranho e nem lembrava de dizer isso a minha médica em nossas consultas mensais.
O acompanhamento pela minha obstetra sempre era perfeito até que dia 14 de novembro fui a ela, para minha surpresa, com 33 semanas as dores que estava sentindo no pé da barriga e as pequenas contrações já eram um processo do trabalho de parte. Então, tive que ficar de repouso absoluto e tomar remédios para cólica e para inibir o trabalho de parto! Faria isso até completar 37 semanas.
Ainda faltavam 1 mês e 10 dias para nosso JH (José Henrique) chegar e tinha muita coisa por fazer, fora que a Princesa estava tendo problemas para acostumar com a nova babá. Os enjôos fortes continuavam, ficava muito mal, me contorcia de dor, mas depois de me entupir de Milanta Plus melhorava.
No Sábado, 03 de Dezembro, a nova babá não conseguiu colocar a princesa para dormir, escutando toda a confusão do meu quarto, resolvi levantar e ir ao quarto de Valentina. Lá me sentei na poltrona, pedi que colocasse minha filhota em meu colo e então fiquei ali por uma hora e meia até que a pequena pegou no sono.
Neste momento, já estava com muita vontade de fazer xixi e não consegui segurar, quando me levantei da poltrona com ela no colo fiz xixi nas calças. Quando disse ao meu marido que havia feito xixi nas calças ele até questionou se eu tinha certeza e eu garanti, pois não estava com nenhuma dor então não podia ser a bolsa, na minha cabeça.
No domingo, quando completei 36 semanas resolvi suspender os remédios, coisa que minha médica pediu que só fizesse uma semana depois. Na segunda pela manhã comecei a sentir um pouco de cólica e à 1 da manhã do dia 06 de Dezembro, senti contrações fortes então resolvi acordar o PAI e dizer que era a hora.
Liguei para minha médica e fomos todos para o hospital, assim que chegamos lá Dra Tânia colocou o equipamento para monitorar nosso bebê, ele estava bem, durante as contrações apresentava os batimentos bem satisfatórios. Estava com 2cm de dilatação.
A Dra. me disse que o pediatra de sua equipe estava viajando e não poderia pegar nosso menino, que por coincidência teria o mesmo nome dele. Resolvemos, então, ligar para o pediatra da princesa e saber se ele topava participar do parto. Ele topou!
Às 5 da manhã começamos a fazer uma indução já que minha bolsa ainda não havia estourado e resolvemos ligar para avisar aos avós que o neto estava chegando. Às 5:30 todos já estavam lá no hospital.
Às 6:00 Dra. Tânia estourou minha bolsa, mas para nossa surpresa, só saiu um pouco de sangue. Ela resolveu me levar para a sala de parto e tentar estourar lá. As dores haviam aumentado bastante e as contrações estavam bem próximas, só a dilatação ainda estava em 6cm.
Na sala de parto a bolsa continuava sem estourar e só saia sangue. O parto foi bem complicado, meu Marido, meu Sogrão (médico urologista), minha MÃE, minha Doutora e o pediatra da Princesa estavam lá e todos começaram a ficar preocupados, pois os batimentos começavam a diminuir o ritmo, e por mais que eu engolisse o grito JH não nascia.
Nunca senti tanta dor na minha vida, a uma certa altura, já por volta das 7:40 o Pediatra resolveu pedir os instrumentos para fazer uma cesária, mas segundo meu Sogrão, não dava mais para voltar atrás… O nosso JH precisava sair para o bem dele e meu.
Trabalhamos em equipe, cada um me ajudou de um certo modo e minha médica deu, literalmente, uma mãozinha. E finalmente, toda a angustia passou depois de sete horas e 15 minutos de trabalho de parto, José Henrique havia chegado ao mundo com 36 semanas e 1 dia, pesando 3.350 e medindo 51cm. Quando vi meu pequeno sendo aspirado ao meu lado e chorando muitooo, me senti a pessoa mais feliz do mundo.
Não parava de perguntar: ELE ESTÁ BEM??? Ate que vi com meus próprios olhos o nosso pequeno e pude beijar e olhar todo aquele menino lindo, cópia fiel do PAI. Nunca vi um bebê tão igual ao pai como ele era.
Mandamos as mensagens e recebemos visitas durante o dia todo. Às 23:30 quando eu e minha mãe nos preparávamos para dormir ela me sai com a seguinte frase: “Filha, não foi xixi! No sábado foi sua bolsa que estourou, pois hora nenhuma saiu água na sala de parto!
Fiquei em choque! Comecei a entrar em pânico, pensei que tudo podia ter dado errado e que eu por me achar experiente poderia ter colocado NOSSAS VIDAS em risco. Não dormi à noite, rezei durante um bom tempo e pedi para que todos fizessem o mesmo.
Se eu não tivesse por conta própria parado de tomar os remédios, talvez eu não tivesse tido dor nenhuma e não quero nem pensar o que poderia ter acontecido!
Fomos para casa, nossa princesa nos recebeu super bem! Nossa casa estava perfeita, a não ser os enjôos que eu continuava sentindo, mas que nem ligava muito, depois de um susto tamanho continuei achando que era algo que comi, ou nervoso mesmo.
No dia do Natal tive uma crise muito forte e disse a minha mãe. No réveillon ela se repetiu e nós voltamos da praia para o Hospital. Foi diagnosticado que eu já estava com PANCREATITE.  Uma das várias pedras da vesícula havia passado para o pâncreas. Fiquei internada por uma semana em tratamento para me curar da pancreatite.
A saudade dos meus pequenos era incrível! O leite não podia guardar, pois estava tomando remédios fortíssimos…  Depois de 4 dias só a base de água consegui ficar boa da pancreatite e, finalmente, me operar da vesícula.
Quando voltei para casa chorei de felicidade, pois não consegui enxergar NENHUM dos sinais colocados na minha frente! Não valorizei NADA. Quando estamos grávidas temos sempre que pensar em NÓS, e não no EU, como fiz.
Tinha tudo para ter dado ERRADO, mas existe um Deus que com certeza colocou a mão em mim e me livrou de TODO o mal que poderia ter acontecido.
Hoje, posso dizer a todos que a qualquer sinal FALE, não se cale, não menospreze sintomas. Sua vida, e a da sua família, pode estar em risco. Respeite seus LIMITES.
Texto por Eduarda Petribu, empresária e Mãe da Princesa Valentina e do Principe JH. Dois partos normais.
Estava com saudades dos “Mãetamorfose, tu”. Das histórias de vocês.  Duda, nossa colaboradora da vez, já tinha contado sua história do parto de Valentina pra gente (A Lição aqui é Normalizar). Entra lá, e acompanha tudo, completo! Obrigada, Duda, mais uma vez, em compartilhar sua experiência e nos ajudar a valorizar cada sinal que o nosso corpo, sabiamente, nos dar! Quem quiser, assim como Duda, nos contar sua história e ajudar muita gente através do seu relato, basta nos enviar seu texto para bruna@maetamorfose.com. Essa é a “graça” da sessão Mãetamorfose eu, Mãetamorfose tu. 🙂