Dica do especialista

Mãetamorfose no Divã: Adaptação escolar

20 jan de 2014 comentários
“Falamos em adaptação sempre que enfrentamos uma situação nova, ou readaptação, quando entramos novamente em contato com algo já conhecido, mas por algum tempo distante do nosso convívio diário. O processo de adaptação inicia com o nascimento, nos acompanha no decorrer de toda a vida e ressurge a cada nova situação que vivenciamos. Sair de um espaço conhecido e seguro, dar um passo à frente e arriscar-se, tendo como companhia o desconhecido para o qual precisamos olhar, perceber, sentir, avaliar, nos leva às mais diferentes reações: permanecer no espaço seguro e protegido, seguir adiante ou desistir e voltar atrás”  (DIESEL, 2003) 
A adaptação escolar pode ser muito tranquila, calma, prazerosa, marcada por muita alegria e sorrisos, pais espantados com o adeus do filho ao deixá-los pela primeira vez na escola. Mas também pode ser marcada por muitos conflitos, choros, lágrimas, gritos e insegurança. Entenda que não há uma regra, cada pessoa é única, por isso cada ser se comporta, reage e sente diferente, não adianta você comparar seu filho com o colega, ou até mesmo comparar irmãos (ás vezes o mais velho dá trabalho na adaptação e o caçula não), cada ser humano tem sua individualidade, sua história.
Dificuldades com a adaptação escolar acontece normalmente em crianças pequenas de até 4 anos, com incidência maior no maternal quando eles vão á escola pela primeira vez. É natural também a criança não chorar de início, nos primeiros dias, afinal tudo é novidade e diversão, e só depois cair na real e aí começar o chororô.
Primeiro, antes de matricular seu filho em uma escola, vá com o mesmo conhecer o ambiente, ver como ele se comporta, se gosta. Procure visitar a escola em época de aula e não nas férias, pois assim você pode observar como a instituição realmente funciona, se a escola cumpre com o que oferece, se o lugar é acolhedor, se as outras crianças que já estudam lá demonstram alegria de estar ali e até mesmo conhecer os profissionais do lugar. Depois procure se informar da qualificação dos professores, quantas auxiliares tem em sala, quem é a diretora, coordenadora e psicóloga da instituição. E sempre, SEMPRE, busque referências com amigas, alguém que estuda ou já estudou na escola. Essa primeira etapa é fundamental para que os pais se sintam seguros ao deixar seus filhos na escola escolhida, pois a insegurança dos pais passa muitas vezes para as crianças o que dificulta mais ainda a adaptação.
Uma DICA: algumas escolas têm colônia de férias, é interessante deixar a criança alguns dias na colônia antes das aulas para que ela já vá ganhando confiança no ambiente e nas pessoas que trabalham ali. Assim a adaptação será mais fácil.
Inicio das aulas é um chororô só na ala dos pequenos, dá uma pena, mas é natural. Converse com seu filho, diga que a partir de agora ele ficará todo dia por um tempo com amiguinhos novos e uma professora enquanto você vai trabalhar, tente passar pra ele como é divertido e importante a ida dele a escola. É comum e NATURAL que algumas crianças chorem no início das aulas. A criança acha que vai ser abandonada, se sente insegura, que chamar atenção, ás vezes chora porque vê o colega chorando, muitos podem ser os motivos, mas acredite, PASSA. Pense que ela está em um ambiente novo, nós adultos muitas vezes nos sentimos angustiados, ansiosos e até choramos em situações de mudanças em nossas vidas, a criança ela demonstra isso através do choro. Pense: você deixaria seu pai e sua mãe para ficar com um estranho? Até que ela se adapte e se sinta segura é normal chorar.
Normalmente a adaptação dura uma semana, mas pode variar até para meses dependendo do caso da criança. Eu aconselho que nos primeiros dias ou na primeira semana algum adulto de referência (pai, mão, avó, babá, tia) fique na escola sem a criança ver para caso ela se exalte muito tenha um suporte afetivo. E que caso a criança chore muito ela passe só uma hora e meia na escola e volte pra casa, e que no decorrer da semana vá aumentando essa permanência dela na instituição. É importante que os pais digam que vão trabalhar e que depois voltam, e deem adeus ao filho. Com o tempo a criança se acostuma com a rotina, ela começa a entender que os pais vão embora mais que não a abandonam, e que ela vai ficar ali naquele ambiente brincando e fazendo atividades. Um bom profissional consegue conquistar o aluno e fazê-lo sentir seguro na ausência dos pais, lógico que isso não ocorre de imediato, mas a professora pode ajudar bastante na adaptação.
Muitos pais dificultam a adaptação sem saber que estão cometendo erros e prejudicando a criança. Ninguém gosta de ver o filho chorando, chamando “papai, mamãe”, dá uma dor no coração, mas a criança usa o choro muitas vezes como chantagem, se ela perceber que funcionou vai fazer sempre, por isso é importante dizer que vai embora e cumprir, caso contrário ela sempre vai chorar para que os pais fiquem mais um pouco. Se você não se sentir seguro em ir embora, diga que vai trabalhar e se esconda em algum lugar que possa observá-la de longe, muitas vezes a criança para de chorar assim que os pais saem, pois veem que não adianta fazer escândalo e acabam se conformando.
No outro dia é natural a criança nem querer vestir a farda e verbalizar que não quer ir, se os pais cederem um dia, a adaptação vai ser mais difícil, pois mais uma vez ela verá que a chantagem funcionou e fará sempre. As primeiras semanas são muito importantes, então procure não deixar que seu filho falte à escola por besteira, pois um dia de falta quebra todo processo da adaptação. A criança precisa entender a escola como parte da vida dela, algo que não pode ser burlado, deixado de lado. É comum no primeiro mês a volta dos finais de semana ser mais difícil, mas não se preocupe, ela vai se adaptar.
Caso passe meses e a criança não se adaptar, é bom procurar o psicólogo da escola para ajudar e fazer os encaminhamentos necessários. Pra fechar, eu vou indicar um livro infantil que retrata essa fase: “Porque Tininha Chorava na Escola”, da autora Marjorie Calumby. Vale a pena a leitura com os pequenos.

Boa sorte na adaptação ou readaptação dos seus pequenos! 🙂

Texto pela Dra. Amanda Pessoa de Melo
Psicóloga Clínica e Psicopedagoga
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