Dica do especialista

Mãetamorfose no Divã: Como lidar com a chegada de um irmãozinho

20 fev de 2014 comentários
Imagine você em um mundo só seu e de repente ter que dividi-lo com um “intruso”. É mais ou menos assim que a maioria das crianças se sente com a chegada de um irmãozinho. Esse novo ser, “intruso”, com quem terá que dividir a atenção dos pais, brinquedos, espaço…
A chegada de um irmão pode ser muito dolorosa, marcada por ciúmes, lágrimas, sentimentos de “abandono”, agressividade e regressões. Lembrando que nem todas crianças passam por isso, afinal cada ser é único, mas a maioria nessa situação vivencia esse drama.
A criança se sente abandonada, achando que os pais a trocaram, que não a amam mais, dói e dói muito pode crer, ignorar esses sentimentos da criança achando que é frescura ou que não é nada só piora a situação. Esses sentimentos são sentidos principalmente em relação a mãe, pois o recém-nascido é totalmente dependente da mesma para tudo e é natural que ela se volte mais para o bebê. Já escutei casos de crianças que fingem que a mãe não existe, ou que ignoram a mãe, o que dizem que não a amam mais. Cada criança reage de uma forma, tem aqueles que se tornam agressivos passando a ter comportamentos inadequados, que choram, que voltam a engatinhar, a usar fralda e mamadeira e há ainda aquelas que beliscam o irmãozinho, tudo isso para chamar atenção.
Antes de tudo muita calma e paciência! A chegada do irmãozinho também tem seu lado positivo, a criança aprender a ter mais limites, aprender a dividir, a desenvolver melhor seu relacionamento afetivo e social. Algumas atitudes que os pais podem fazer para minimizar a chegada do irmãozinho: esclarecer desde o início que estão pretendendo ter outro filho e falar de todas as coisas boas que um irmão pode trazer; falar das vantagens de ser o mais velho; integrar o filho mais velho na vida do caçula mesmo antes de o bebê nascer fazendo o participar da gravidez (desde a compra do enxoval, até acompanhar a ultrassom do novo bebê); não faça mudanças bruscas na rotina dele; se interesse pelas atividades e atitudes dele, valorizando-o para que se sinta importante também; eleve sua autoestima fazendo elogios.
Lembre-se: recorra sempre ao diálogo e compreenda que algumas atitudes são provenientes do medo de perder o espaço no coração dos pais.
Agora para vocês um vídeo lindo de emoção pura. Quem dera que todo encontro com o irmãozinho novo fosse assim…
Dicas de livros:
Vou ganhar um irmãozinho! Menino ou menina?
São dois livros em um. O primeiro conta como Carol vai receber o irmão caçula; o outro funciona como álbum de recordações em que o mais velho pode fazer anotações sobre sua convivência com o bebê. De Mymi Doinet, Ed. Girassol.
O Que é Que Eu Faço, Afonso?
Esse livro conta o drama de Clara, 6 anos, que acredita ter perdido o amor dos pais por conta do nascimento do irmãozinho. Seu único amigo é o urso de pelúcia Afonso. Ela sente tanto ciúmes do bebê que começa a torcer para que ele não exista mais. No entanto, quando o pequeno fica doente, a menina logo se arrepende da ideia. De Sônia Barros, Ed. Atual.
Quero ser meu irmãzinho
Essa história mostra o desafio de Guigo, 6 anos, em lidar com o nascimento do caçula. De tanto ciúmes, o menino decide se transformar em bebê. Ele vai perceber que as coisas não são tão fáceis quanto parecem. De Sandra Saruê, Ed. Melhoramentos.
Texto pela Dra. Amanda Pessoa de Melo
Psicóloga Clínica e Psicopedagoga
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