Dica do especialista

Mãetamorfose no Divã: Mordida Escolar

6 nov de 2013 comentários
Adoro apresentar Tags novas no pedaço, e quando vem acompanhada de uma profissional super antenada e leitora do blog  há algum tempo, melhor ainda! A Psicóloga, Amanda Pessoal de Melo, conhece o Mãetamorfose muito bem. Sabe a nossa linguagem, acompanha as minhas principais dúvidas, e consequentemente, das outras mamães também. Seja Bem-vinda, Amanda! E faça bom uso do nosso #mãetamorfosenodivã. 🙂
Beijos
Bruna
Nenhum pai ou mãe gosta de saber que seu filho foi mordido na escola, afinal não é fácil ver seu filho machucado, desprotegido, marcado pelos dentes de um colega. É normal ficar chateado, magoado, assim como os pais da criança que mordeu ficam muitas vezes constrangidos, com vergonha da situação que o filho causou.
A escola é culpada? Foi falta de cuidado? Na maioria dos casos a instituição escolar não tem culpa. Ás vezes acidentes acontecem com as crianças em casa ao olhar dos próprios pais e familiares, por que não pode acontecer na escola onde se tem em média 18 alunos por sala para uma professora e auxiliar darem conta? Lógico que a escola, assim como os profissionais dela vão tentar ao máximo evitar acidentes e que a criança se machuque, mas pode acontecer.
A mordida escolar é muito comum em salas de crianças com a faixa etária de dois anos. De acordo com Sigmund Freud essa fase oral faz parte do desenvolvimento psicossexual da criança e acontece desde o nascimento até por volta dos dois anos de idade. Nessa fase a criança tem a boca como fonte de prazer e de se expressar, e tudo que pega leva a essa região, seja pra sugar, lamber, morder, chupar. Conforme vai crescendo outras áreas do corpo vão se desenvolvendo. Então, quando a criança vivencia frustração, ansiedade, dor, angústia, ela utiliza a boca para demonstrar esses sentimentos e acaba mordendo. É forma que a criança encontra de se comunicar e expressar, afinal nessa idade ela ainda não tem o domínio da linguagem.
As mordidas fazem parte do desenvolvimento de criança e ela irá utilizar esse meio para se comunicar, se expressar. É importante ressaltar que cada criança é única, não podemos comparar uma criança com outra, cada uma vai vivenciar essa fase oral de um jeito, por isso algumas crianças mordem e outras não, mas acreditem, todas passam pela fase oral, mas cada uma a sua maneira.
Os motivos de uma mordida podem ser variados, os mais comuns são: brigas por brinquedos, ciúmes, chamar atenção, problemas familiares que a criança esteja passando em casa, defesa de algo que o colega fez.
O que se deve fazer quando seu filho é mordido? Dá vontade de brigar com a criança que mordeu, chamar os pais da criança mordedora e dizer algumas coisas, culpar a escola, enfim, o melhor é refletir e trazer o acontecimento como forma de aprendizado para si e para seu filho. Nunca, JAMAIS, fale para a criança que foi mordida revidar, pois você estará reforçando um comportamento negativo. A melhor forma de lidar com isso é conversando com seu filho para entender a situação, se ele fez algo antes que possa ter levado o colega a morder e até mesmo para reforçar que morder dói e que ele nunca faça isso com outra criança, pois machuca. Ir à escola e conversar com a professora, para saber como foi que aconteceu se é uma criança que anda mordendo ou se foi um caso isolado. A escola deve comunicar a família da criança mordedora para que junto com a instituição seja observado o comportamento para ver se foi um caso isolado ou se foi algo rotineiro, e assim investigar os motivos para ajudar da melhor forma possível. A escola deve mediar às relações entre as crianças e seus familiares para minimizar os sentimentos negativos.
A professora também deve aproveitar o ocorrido para conversar com os alunos em sala, dizer que morder machuca, que não pode morder o colega, ensinar outros meios para a criança conseguir o que quer ou expressar-se (“se você não gostou do que ele fez, vamos dizer isso a ele” ou “você quer o brinquedo? Vamos pedir a ele”), ensinar regras de convivência. O adulto mediador da situação tem que procurar transformar a atitude corporal em uma atitude mediada pela linguagem.
Apesar da mordida ser de ordem natural do desenvolvimento da criança, em alguns casos se tornam frequentes e podem indicar problemas emocionais, nesse caso é importante buscar a ajuda de um psicólogo para investigar o que pode estar acontecendo.
Texto pela Dra. Amanda Pessoa de Melo
Psicóloga Clínica e Psicopedagoga
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