Mãetamorfose em Palavras

Mãetamorfose Tu: Dulce Gayoso

10 out de 2016 comentários

Sabe aquele dizer “Tudo no seu Tempo”?
Acho que antes de Helena, eu não entendia muito bem ele. Planejamento era o meu nome. Minhas decisões sempre bem pensadas e arquitetadas na minha cabeça. Assim seguia minha vida. Namoro, Casamento, 2 anos de curtição, até que plim, chegou a hora. O meu relógio biológico bateu e eu precisava ser mãe.
Assim como várias mulheres, o desejo sempre foi latente na minha vida. Família grande, Caçula de 4 irmãos homens, vivia rodeada de crianças, era até então “Tia Dulce”. Mas cansada de brincar de boneca, queria uma de verdade, só pra mim. Mal sabia eu que bebês são bem diferentes de bonecas.
Mas voltando a minha tal ansiedade, até a “viagem de engravidar” foi pensada. Ácido Fólico Ok, lugar paradisíaco Ok, período fértil Ok. A receita do bolo tava completa, agora era só esperar o positivo. Meu primeiro negativo, lembro como se fosse hoje. Chorei, um choro contido, racional, afinal era o primeiro mês e o senso comum dizia que às vezes não é assim tão rápido.
Segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto mês e nada. Nesse ponto, já estava batendo na porta de uma médica epecializada em fertilização, que se tornou a minha obstetra. Ela, olhando para aquela menina de 29 anos, com todos os exames regulares, me mandou “relaxar e namorar” que só iriamos pensar em fazer algo depois de 1 ano. Relaxar? Tem conselho mais irritante pra quem quer o seu bebê no seu tempo?!
Me tornei especialista em sintomas do dia fértil, secreções, cólicas e até em simpatias pra todos os santos. Formada e graduada em tudo que o google disponibiliza sobre “como engravidar”. E mesmo assim, depois de 1 ano, nada.
Aquilo já tava me enlouquecendo, era de fato uma “tentante”, escrava de um calendário do ciclo menstrual. Era uma tortura, desgatava minha mente meu casamento e meus amigos já nem aguentava mais as minhas lamentações que decorriam sempre sobre o mesmo tema.
O prazo de 1 ano havia passado e começaram os exames mais detalhados. Espermograma ok, Histerosaloingografia ok. O que danado eu tinha afinal?
Chegou o carnaval, e joguei tudo pro ar. Tava abusada do assunto e cair na farra foi a melhor solução. A folia passou e a angústia voltou. Eu ja tinha uma consulta médica para falar sobre o processo de fertilização. Até que, 10 dias de atraso vieram.
Dessa vez nem alimentei minhas expectativas pois já tinha tido negativos com muitos dias de atraso. Mas tinha uma viagem marcada na mesma semana e eu me obriguei a fazer aquele teste no laboratorio.
Tava num ponto com vergonha de ir no laboratório de custume , pois tinha a certeza que as atendentes pensavam ” oww la vem aquela ruivinha que ta vindo fazer o beta denovo.” Coisa de gente doida, eu sei.
Mas dessa vez foi diferente, ao abrir aquele site e clicar no “laudo completo” , estava lá, um beta hcg suficiente para me caracterizar bem grávida.
Era a minha maetamorfose chegando, me emocionando desde o primeiro momento. A minha luta não se compara a de diversas mulheres que enfrentam verdadeiras batalhas para se tornarem mãe. Entretanto aquilo que quase me tirou do sério serviu para me ensinar que quando o assunto é maternidade, tantas coisas nos fogem do controle.
Tinha que ser Helena, no seu tempo . Tempo que me amadureceu e me preparou para a sua chegada. Era ela me transformando mesmo antes de ser.
Texto por Dulce Gayoso, Publicitária e Mamãe da Princesa Helena.

Ph: Nathalia Carvalho