Mãetamorfose em Palavras

A maternidade e os palpiteiros

17 nov de 2016 comentários

ncf_2289-2

Desde a descoberta da gravidez, os palpiteiros de plantão chegam de vez. Quem já esteve gravida sabe muito bem. Desconfio que nem na época do vestibular, ainda sem saber o que queria,  você foi tão bombardeada assim.

Tem sugestões de todos os tipos: do que devia comprar, comer, fazer. Muitos ficam de olho nos seus hábitos. Ai se decidir tomar uma tacinha na frente dos que se julgam especialistas em saúde do bebê. No quesito comemoração, há os que questionam de antemão: não vai fazer chá revelação? Chá de bebê? Festão na Maternidade? Vai se arrepender. E se decidiu descobrir o sexo através da sexagem, ou da ultrassom, quiçá só depois do bebê nascer, vai ver o palpiteiro aparecer.

A decisão do parto, então, é uma pressão. Parto domiciliar é “coisa de gente inconsequente, natureba”. Decidiu tentar o parto normal que pode cair em data especial, tipo o Réveillon ou Natal, é arriscado.  Se marcou a cesárea está perdendo de sentir a “real emoção” de se tornar mãe. Como se o parto fosse a condição principal para se sentir verdadeiramente uma.

Quando o filho nasce, continua sobrando palpite. As visitas, muitas vezes, atrapalham mais do que colaboram. Difícil chegar uma pra trocar a fralda, perguntar no caminho se você está precisando de alguma coisa pra comprar, ficar com o bebê pra você tomar um banho, ou simplesmente, parar pra descansar.

E na amamentação? Seja porque você “não fez o máximo” que podia pra continuar, seja porque você é a louca do peito e não quer deixar o menino largar, vão falar. Se ao final da licença maternidade você decide não trabalhar, está predestinada a nunca mais se reposicionar. Se volta ao trabalho antes mesmo da licença acabar, não está pensando no seu filho, ou tá “fugindo” da vida materna, e precisa repensar se estava mesmo na hora de ter tido um.

Filhos crescendo não é diferente. Se demora a desfraldar, a mãe que é uma preguiçosa. Se deixa dormir na cama do pais, é preguiçosa também! Como se estes fossem os únicos parâmetros para mostrar uma mãe disposta a educar sem seguir toda regra do bê-á-bá. Agora, os que realmente importam, e te ajudam a passar por toda essa loucura-massa que é a maternidade, precisam ser valorizados. Opiniões  que no início poderiam nos parecer uma afronta, nos tiram um peso danado. Compartilhar nossas dúvidas, angustias e cuidados com os filhos podem nos acrescentar tanto. Deixa isso acontecer pra ver!❤